Por Alberto Caeiro
O que ouviu os meus versos disse-me: Que tem isso de novo?
Todos sabem que uma flor é uma flor e uma árvore é uma árvore.
Mas eu respondi, nem todos, (?.......... )
Porque todos amam as flores por serem belas, e eu sou diferente.
E todos amam as árvores por serem verdes e darem sombra,
[mas eu não.
Eu amo as flores por serem flores, diretamente.
Eu amo as árvores por serem árvores, sem o meu pensamento.
Todos sabem que uma flor é uma flor e uma árvore é uma árvore.
Mas eu respondi, nem todos, (?.......... )
Porque todos amam as flores por serem belas, e eu sou diferente.
E todos amam as árvores por serem verdes e darem sombra,
[mas eu não.
Eu amo as flores por serem flores, diretamente.
Eu amo as árvores por serem árvores, sem o meu pensamento.
29-5-1918
* * *
Tu, místico, vês uma significação em todas as coisas.
Para ti tudo tem um sentido velado.
Há uma coisa oculta em cada coisa que vês.
O que vês, vê-lo sempre para veres outra coisa.
Para mim, graças a ter olhos só para ver,
Eu vejo ausência de significação em todas as coisas;
Vejo-o e amo-me, porque ser uma coisa é não significar
[nada.
Ser uma coisa é não ser suscetível de interpretação.
Para ti tudo tem um sentido velado.
Há uma coisa oculta em cada coisa que vês.
O que vês, vê-lo sempre para veres outra coisa.
Para mim, graças a ter olhos só para ver,
Eu vejo ausência de significação em todas as coisas;
Vejo-o e amo-me, porque ser uma coisa é não significar
[nada.
Ser uma coisa é não ser suscetível de interpretação.
12-4-1919
* * *
Todas as opiniões que há sobre a Natureza
Nunca fizeram crescer uma erva ou nascer uma flor.
Toda a sabedoria a respeito das coisas
Nunca foi coisa em que pudesse pegar, como nas coisas.
Se a ciência quer ser verdadeira,
Que ciência mais verdadeira que a das coisas sem ciência?
Fecho os olhos e a terra dura sobre que me deito
Tem uma realidade tão real que até as minhas costas a sentem.
Não preciso de raciocínio onde tenho espáduas.
Toda a sabedoria a respeito das coisas
Nunca foi coisa em que pudesse pegar, como nas coisas.
Se a ciência quer ser verdadeira,
Que ciência mais verdadeira que a das coisas sem ciência?
Fecho os olhos e a terra dura sobre que me deito
Tem uma realidade tão real que até as minhas costas a sentem.
Não preciso de raciocínio onde tenho espáduas.
29-5-1918
REFERÊNCIAS:
1 – Poemas Completos de Alberto Caeiro. In: PESSOA, Fernando. Ficções do interlúdio. São Paulo: Novo século, 2018. p. 121.
2 – Poemas de Alberto Caeiro. In: PESSOA, Fernando. Obras escolhidas. Jane Tutikian (org.). Porto Alegre: L&PM, 2016. p. 112.
3 – Poemas Completos de Alberto Caeiro. In: PESSOA, Fernando. Ficções do interlúdio. São Paulo: Novo século, 2018. p. 120.
2 – Poemas de Alberto Caeiro. In: PESSOA, Fernando. Obras escolhidas. Jane Tutikian (org.). Porto Alegre: L&PM, 2016. p. 112.
3 – Poemas Completos de Alberto Caeiro. In: PESSOA, Fernando. Ficções do interlúdio. São Paulo: Novo século, 2018. p. 120.
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