sábado, 3 de dezembro de 2022

A COPA E A RELIGIÃO

 

 

Por Carlos André Cavalcanti

 

Abro espaço nesta coluna para debater a presença da religião aliás, da intolerância religiosa na Copa do Mundo de Futebol no Qatar. Tricolor coral, gosto muito de futebol, mas é preciso perceber fatores negativos que podem estar no entorno do mais belo esporte do mundo. O texto é de Edebrande Cavalieri, da Arquidiocese (católica romana) de Vitória, Espírito Santo.

 

BOLA FORA

 

“As imagens do Catar que estão chegando em nossas casas nos mostram um país com prédios fantásticos e supermodernos, estádios de futebol com arquitetura sofisticada e até com ar refrigerado; de fato, essas imagens não mentem. Estamos diante de um país que é uma potência financeira, capaz de comprar cotas de ações dos maiores clubes europeus”. “(...) “Em termos religiosos, estamos diante de um país com quase 70% de sua população pertencente ao Islamismo, a maioria sunitas. Os cristãos chegam a 13,8% e os budistas com a mesma percentagem.”

 

IMPEDIMENTO

 

O regime catari é uma monarquia semi-absolutista com ares de liberdade que o regime procura apresentar. “Há um rigor no controle do modo de vestir tanto dos homens como das mulheres. Estas devem cobrir a cabeça e o corpo com roupas. Dizem que há liberdade religiosa, contudo sob o controle do Estado que define até onde é permitida a construção de templos religiosos. Qualquer grupo religioso deve fazer um registro nos órgãos do governo.”

 

GOL CONTRA

 

“Há um aumento da violência religiosa contra cristãos, caracterizando um clima hostil e de intolerância. É proibido fazer proselitismo; portanto, o trabalho missionário de convencimento a mudar de religião é considerado motivo suficiente para perseguição. As pessoas muçulmanas que se convertem para o cristianismo ou budismo passam a ser discriminadas e mal vistas em todos os espaços. Estamos diante de um país onde a intolerância religiosa é grande, especialmente contra os não muçulmanos.”

 

FIFA S/A

 

Com todas estas informações e muito mais que não cabe neste pequeno texto, fica muito contraditória a posição da FIFA neste evento. Os episódios de intolerância que estão ocorrendo durante o evento, contra os quais se expressou bem a seleção alemã, por exemplo, são motivo mais que suficiente para questionar a propalada neutralidade do futebol internacional.  O comando do futebol parece ter lado e este lado parece ser o dinheiro. Até quando o futebol, em sua principal instituição internacional, vai usar dois pesos e duas medidas quando o assunto é Direitos Humanos e Diversidade Religiosa?

 

Publicado originalmente em www.jornalopoder.com.br


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