sexta-feira, 19 de fevereiro de 2021

138 ANOS DA PASSAGEM DO PADRE IBIAPINA

 


Por Diógenes Faustino do Nascimento

 

Padre Ibiapina suscitou uma nova prática religiosa de resgate e promoção da dignidade e da valorização das experiências humanas, por intermédio das Casas de Caridade e das demais obras missionárias desenvolvidas nas províncias da Paraíba, Rio Grande do Norte, Pernambuco, Ceará e Alagoas, entre os anos de 1856 e 1883. Suscitando assim uma nova cultura religiosa que influenciou um novo cristianismo na América Latina, especificamente no Brasil, por meio das obras e missões que realizou.

Seus princípios permanecem e são atualizados constantemente, gerando seguidores que fomentam novas práticas cristianizantes para a contemporaneidade por meio da promoção da caridade. Por meio das obras de caridade, promoveu a libertação dos mais pobres e marginalizados do seu tempo, a ponto de considerarmos que o padre José Antônio de Maria Ibiapina foi o indutor de um novo cristianismo católico no Nordeste brasileiro, fomentado por meio dos seus sermões, máximas espirituais, obras missionárias e por uma prática catequética renovada.

A religiosidade popular permanece viva nos devotos de Ibiapina, tornando-se condição essencial resultante da universalização dos interesses dos indivíduos ao consentir livremente em participar de uma nova práxis cristã pertinente aos anseios do povo de cada tempo em seus espaços e territorialidades. A religiosidade popular assume aqui mais uma vez a função de consolo e de justificativa, significando uma união identitária entre seus membros e seguidores, assumindo para si os mesmos ideais e partilhando das mesmas circunstancias sociais. Os devotos, as beatas, beatos e os agentes de religiosidade popular acreditam que por meio das devoções aos “santos” e ao participarem das festas religiosas realizam seus desejos de viver em um tempo sagrado, viver num mundo real, sacralizado e santificado. Buscando técnicas de orientações e de construções do espaço sagrado, mesmo que essas não dependam apenas de seus esforços físicos. É nesse ambiente de religiosidade onde se restabelecem as amizades, se formam mutirões para construir açudes, casas, cemitérios e que também nos apresenta uma mudança prática de hábitos e costumes elementares da vida cotidiana como comer, vestir, andar, namorar, casar e rezar.

 

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